As universidades e o conceito de Cidades Inteligentes

Câmeras, sensores e plataformas digitais deixaram de atuar de forma isolada e passaram a compor um ecossistema eficiente semelhante às cidades inteligentes.

Quando se pensava em Cidades Inteligentes, normalmente vinham à mente grandes centros urbanos utilizando tecnologia para melhorar mobilidade, segurança, iluminação ou prestação de serviços públicos. Mas havia um ambiente onde esses mesmos desafios já faziam parte da rotina havia muitos anos: os campi universitários.

 

Por Ricieire Piovezan I VIGI da TP-Link

 

Grandes universidades funcionavam como pequenas cidades. Reuniam diariamente milhares de estudantes, professores, pesquisadores, funcionários, fornecedores e visitantes, distribuídos entre salas de aula, laboratórios, hospitais universitários, centros esportivos, estacionamentos e quilômetros de vias internas. Administrar essa estrutura exigia cada vez mais uma visão integrada da operação.

Essa realidade ajudava a explicar por que diversas instituições brasileiras vinham ampliando seus investimentos em monitoramento inteligente. Na USP, por exemplo, a expansão da central integrada de monitoramento ocorreu após anos de registros de furtos de veículos, bicicletas, celulares e invasões em diferentes áreas do campus. Na Unicamp, novas câmeras passaram a reforçar o acompanhamento das áreas comuns e o apoio às equipes responsáveis pela segurança e pela resposta a ocorrências.

Mais do que uma reação ao aumento da criminalidade, esses movimentos revelaram uma mudança na forma de administrar esses ambientes. O videomonitoramento deixou de ser entendido como um sistema voltado exclusivamente à vigilância patrimonial e passou a integrar uma estratégia mais ampla de gestão baseada em dados.

Essa mudança foi importante porque os desafios das universidades foram além da proteção física. Foi preciso compreender fluxos de circulação, identificar situações de risco com maior rapidez, apoiar decisões operacionais e utilizar melhor os recursos disponíveis — ou seja, o objetivo deixou de ser apenas registrar acontecimentos, para passar a produzir informações que permitissem antecipar problemas e responder de forma mais eficiente.

A experiência da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) ilustrou bem essa evolução. Ao iniciar a modernização de sua infraestrutura de monitoramento, a instituição buscou resolver limitações operacionais que dificultavam o trabalho das equipes responsáveis pela segurança, como baixa qualidade das imagens, cobertura insuficiente e excesso de alarmes indevidos.

O resultado foi muito mais do que uma atualização tecnológica. A adoção de recursos baseados em Inteligência Artificial permitiu tornar o monitoramento mais preciso, reduzir ocorrências que exigiam verificações desnecessárias e ampliar a capacidade de resposta diante de situações que realmente demandavam atenção. Na prática, a universidade passou a transformar imagens em informação útil para apoiar sua operação cotidiana.

Essa foi justamente uma das principais características das cidades inteligentes: utilizar dados para qualificar decisões. Câmeras, sensores e plataformas digitais deixaram de atuar de forma isolada e passaram a compor um ecossistema capaz de oferecer mais eficiência operacional, melhor utilização dos recursos públicos e maior segurança para as pessoas.

O mesmo princípio ganhou espaço nas universidades brasileiras. À medida que esses ambientes se tornaram mais conectados, o videomonitoramento deixou de cumprir apenas uma função reativa e passou a apoiar a gestão de toda a infraestrutura do campus.

Talvez esse tenha sido o ponto mais relevante dessa transformação: o futuro não seria definido pela quantidade de câmeras instaladas, mas pela capacidade das instituições de utilizar inteligência para administrar ambientes cada vez mais complexos. E quando um campus passou a funcionar como uma cidade, fez sentido que também incorporasse a lógica das cidades inteligentes em sua forma de operar.

 

Ricieire Piovezan é gerente sênior da operação VIGI da TP-Link.

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Eduardo Boni Pontes

Diretor de Conteúdo

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