Check Point e Illumio: parceria contra ciberataques por IA

Check Point e Illumio expandem parceria para combater ciberataques por IA, que automatizam invasões em minutos. Entenda Zero Trust e microssegmentação.

A Check Point e a Illumio, especializada em segmentação de rede e contenção de brechas de segurança, anunciaram a expansão de uma parceria estratégica voltada a um problema que vem ganhando urgência entre times de segurança da informação: o uso de modelos avançados de inteligência artificial para automatizar ciberataques por IA.

Historicamente, um ataque cibernético bem-sucedido passava por várias etapas manuais: reconhecimento do alvo, identificação de vulnerabilidades, exploração da falha e, por fim, movimentação lateral dentro da rede para alcançar sistemas críticos. Esse processo podia levar dias ou semanas.

Com o avanço de modelos de IA generativa aplicados a ataques ofensivos, parte dessa cadeia pode ser automatizada e executada em minutos, com pouca supervisão humana. Isso não significa que a IA “invente” vulnerabilidades novas — ela acelera a exploração de falhas já existentes, testando exploits, ajustando ciberataques por IA e navegando pela rede de forma muito mais rápida do que um invasor humano conseguiria sozinho. É essa aceleração, e não a criação de ameaças inéditas, que preocupa especialistas do setor.

Prevenção não é mais suficiente sozinha

A lógica por trás da parceria entre as duas empresas parte de uma premissa que vem se tornando consenso entre especialistas em segurança: nenhuma solução de prevenção é infalível. Por isso, a estratégia de defesa passou a ser dividida em duas frentes complementares:

  • Prevenção de perímetro: bloquear ameaças antes que entrem na rede corporativa, papel desempenhado pelas soluções de firewall, SASE (Secure Access Service Edge, arquitetura que unifica conectividade de rede e segurança em nuvem) e Zero Trust da Check Point. O modelo Zero Trust parte do princípio de que nenhum usuário, dispositivo ou sistema deve ser considerado confiável por padrão, exigindo verificação contínua.
  • Contenção interna: caso um invasor consiga romper o perímetro, a Illumio atua limitando o quanto ele consegue se movimentar dentro da rede. Essa técnica é chamada de microssegmentação: a rede é dividida em compartimentos isolados, de forma que, mesmo se um invasor comprometer um sistema, ele não consiga avançar livremente para outros ativos críticos.

Mudanças práticas nos ciberataques por IA 

A integração entre as duas plataformas permite que políticas de firewall da Check Point conversem diretamente com o mapeamento de cargas de trabalho (workloads) da Illumio em ambientes híbridos e multicloud. Na prática, isso reduz conexões desnecessárias entre sistemas — cada rota de rede que não precisa existir é uma rota a menos para um invasor explorar.

A parceria também simplifica a operação para o cliente final: agora é possível adquirir as soluções da Illumio diretamente por meio da Check Point, reduzindo a necessidade de lidar com múltiplos fornecedores e contratos separados — um ponto sensível para equipes de segurança que hoje gerenciam dezenas de ferramentas distintas.

Dados de mercado reforçam a tendência

Segundo estimativa da consultoria IDC, o mercado de microssegmentação deve crescer a uma taxa composta anual de 23,5% nos próximos anos, à medida que empresas migram da fase de avaliação para a implementação em escala da tecnologia. A mesma consultoria aponta que a maioria das organizações que já adotou microssegmentação relata melhora perceptível na postura de segurança e na resiliência contra ataques de ransomware — mas também identifica um obstáculo comum: a sobrecarga de ferramentas de segurança desconectadas entre si, o que reforça o apelo por soluções integradas como a anunciada pelas duas empresas.

Para equipes de segurança da informação, o anúncio reflete uma mudança mais ampla de mentalidade no setor: a pergunta não é mais apenas “como impedir que o ataque aconteça”, mas “o que fazer quando, inevitavelmente, algo passar pelas defesas”. Empresas que ainda concentram seus investimentos exclusivamente em prevenção de perímetro — sem controles internos de contenção, como microssegmentação e Zero Trust — ficam mais expostas ao tipo de ataque acelerado por IA que a parceria busca combater.

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Eduardo Boni Pontes

Diretor de Conteúdo

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