A inteligência artificial (IA) avança nas estratégias corporativas, mas sua adoção em larga escala depende de fatores que vão além da capacidade dos modelos: qualidade dos dados, contexto de negócio, governança e segurança. Essa foi uma das principais mensagens do Snowflake World Tour São Paulo, realizado em 7 de outubro de 2026, no Transamérica Expo Center, em São Paulo. O encontro reuniu mais de 1.300 participantes e apresentou experiências práticas de empresas que utilizam dados e IA para transformar processos e operações.
Ao longo da programação, cerca de 30 clientes da Snowflake compartilharam casos de uso e resultados de suas iniciativas, mostrando como a tecnologia vem sendo aplicada em diferentes setores. O evento também discutiu o avanço dos agentes inteligentes, sistemas capazes de executar tarefas e participar de fluxos de trabalho com diferentes níveis de autonomia, e os requisitos necessários para levar essas aplicações dos projetos-piloto à produção.
A discussão interessa diretamente às áreas de tecnologia e segurança da informação, uma vez que a expansão da IA amplia a necessidade de controlar o acesso aos dados, estabelecer políticas de uso e manter a rastreabilidade das operações realizadas por sistemas automatizados.
Estratégia de dados: essencial para escalar a IA
A abertura do evento contou com apresentações de Baris Gultekin, vice-presidente de IA da Snowflake, e Bruno Barreto, vice-presidente da companhia para a América Latina. Os executivos destacaram as inovações da plataforma AI Data Cloud, incluindo recursos voltados à orquestração de múltiplos agentes de IA e à governança de dados estruturados e não estruturados.
A proposta da plataforma é permitir que as organizações unifiquem informações distribuídas em diferentes ambientes, preparem suas infraestruturas para aplicações de inteligência artificial e acelerem a tomada de decisões.
Durante o keynote, Gultekin ressaltou que as dificuldades enfrentadas pelas empresas na adoção de IA nem sempre estão relacionadas aos modelos utilizados, mas à qualidade e ao contexto das informações disponibilizadas para essas tecnologias.
“Se você está enfrentando problemas com a adoção de IA, as chances são de que o problema não esteja nos modelos, mas nos dados subjacentes e no contexto disponível para eles. Nós acreditamos verdadeiramente que não existe estratégia de Inteligência Artificial sem uma estratégia de dados”, afirmou o executivo.
A declaração reforça um dos principais desafios da IA corporativa: garantir que os sistemas tenham acesso a informações confiáveis, atualizadas e contextualizadas. Sem essa base, as respostas e ações automatizadas podem comprometer a qualidade das decisões e ampliar os riscos operacionais.
Agentes inteligentes avançam nas operações corporativas
A programação apresentou exemplos internacionais de aplicação da IA em processos empresariais. Entre os casos destacados estavam a modernização dos fluxos de compras de uma companhia global do setor farmacêutico, a integração de lojas físicas, comércio eletrônico e cadeia de suprimentos em uma empresa de varejo esportivo e a ampliação do acesso a ferramentas de IA em grandes conglomerados de tecnologia, mídia e eletrônicos.
As experiências ilustram como a inteligência artificial começa a ultrapassar o uso restrito à geração de conteúdo e à análise de informações, avançando para atividades integradas aos processos operacionais.
Esse movimento também traz novos desafios para a segurança corporativa. À medida que agentes de IA passam a interagir com sistemas, consultar bases de dados e executar tarefas, as organizações precisam definir permissões, limitar acessos conforme a necessidade de cada aplicação e acompanhar as ações realizadas de forma automatizada.
Nesse contexto, a governança deixa de ser apenas uma exigência de conformidade e passa a integrar a própria arquitetura das soluções de IA.
Saúde, interoperabilidade e liderança em dados
Além das apresentações sobre a estratégia global da Snowflake, o evento abordou aplicações específicas e desafios de diferentes segmentos do mercado.
Na sessão dedicada ao futuro da saúde e à IA agêntica, Joel Rydbeck, especialista de vendas de IA da Snowflake, discutiu o uso de dados multimodais e a interoperabilidade como elementos para ampliar as aplicações de inteligência artificial no setor. A apresentação também incluiu demonstrações práticas de ferramentas da companhia voltadas a esses desafios.
A integração de informações é particularmente relevante em ambientes que lidam com grandes volumes de dados provenientes de diferentes sistemas. Para transformar esse conjunto de informações em inteligência operacional, as organizações precisam conciliar disponibilidade, qualidade, controle de acesso e proteção dos dados.
Outro destaque foi o painel “Mulheres em Dados”, conduzido por Sandra Bouzon, district manager da Snowflake. A discussão reuniu Patricia Cardoso, head de Tecnologia do CIEE; Graciele Janini, gerente executiva de Arquitetura e Dados da Esfera Energia; e Janaina Lainez, head de Plataforma e Governança da DASA.
As executivas compartilharam experiências sobre desenvolvimento de equipes, estratégias de dados e desafios de liderança, ressaltando a importância da diversidade para fortalecer a inovação e construir ambientes corporativos mais eficientes.
O programa executivo também contou com uma sessão conduzida por Gultekin e Derick Thompson, líder global de go-to-market para soluções de plataforma de IA, dedicada aos investimentos e ao roteiro de inovação da Snowflake para o mercado corporativo.
Governança e cibersegurança determinam a expansão da IA
A adoção de agentes inteligentes em processos críticos exige atenção especial à governança e à cibersegurança. O acesso a informações corporativas, a interação com diferentes aplicações e a capacidade de executar ações ampliam a importância de mecanismos que permitam controlar o comportamento desses sistemas.
Entre os aspectos que merecem atenção estão a definição de privilégios de acesso, a proteção de dados sensíveis, o monitoramento das atividades automatizadas e a capacidade de auditar decisões e operações. Também é necessário estabelecer limites para as ações dos agentes, com controles proporcionais ao impacto que podem produzir nos negócios.
A qualidade das informações utilizadas pelos modelos é outro componente dessa equação. Dados incompletos, desatualizados ou acessíveis sem critérios adequados podem comprometer tanto a eficiência das aplicações quanto a segurança das operações.
Por isso, a transição de projetos experimentais para ambientes de produção demanda uma abordagem que combine infraestrutura, governança, gestão de riscos e políticas claras de utilização da inteligência artificial.
Mercado brasileiro amplia a aplicação prática da IA
Na avaliação de Bruno Barreto, o mercado brasileiro vem demonstrando maturidade crescente na aplicação de tecnologias de dados e inteligência artificial.
“O ecossistema brasileiro de tecnologia atingiu uma maturidade impressionante. O que discutimos no evento não foram apenas teorias sobre IA, mas projetos reais que estão reduzindo custos, quebrando silos e acelerando a inovação nos maiores players do país. Nosso compromisso na América Latina é continuar investindo para garantir que as empresas locais tenham as melhores ferramentas do mundo para transformarem seus dados em resultados diretos”, afirmou o vice-presidente da Snowflake para a América Latina.
O Snowflake World Tour São Paulo evidenciou que a evolução da IA corporativa depende da combinação entre capacidade tecnológica e preparação organizacional. Com a ampliação do uso de agentes inteligentes, a integração de dados e a automação de processos, governança e segurança tendem a ocupar uma posição cada vez mais central nas estratégias digitais.
Para as empresas, o desafio agora é transformar o potencial da inteligência artificial em resultados concretos, mantendo o controle sobre as informações, os acessos e as ações executadas por sistemas automatizados.


















