mindset360: ouvir para evoluir

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O Mindset360 chega à segunda edição no Brasil. O evento ocorre em diversos países, incluindo quatro mercados da América Latina. O objetivo, segundo Rafaela, é claro: estar próximo de quem realmente opera a segurança no dia a dia.

Em entrevista exclusiva ao portal Security Business durante o Mindset360, realizado nesta terça-feira (4) em São Paulo, Rafaela Macedo Silva, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Genetec, detalhou a estratégia da companhia de se aproximar cada vez mais dos clientes finais e de transformar dados de segurança em informação útil para o negócio

“A gente atua 100% via canal, mas quem de fato se beneficia dos atributos e das funcionalidades da plataforma é o usuário, que precisa proteger o ambiente. Estamos aqui para apresentar e também para escutar as demandas, para que a gente traga atualizações no próximo 360. As ameaças só evoluem”, afirma.

O público convidado reúne gestores de segurança e de risco, profissionais de TI e áreas correlatas, como operações. A razão é estratégica: os dados gerados por câmeras, logs de acesso e outros dispositivos deixaram de servir apenas à proteção e passaram a ser consumidos pelo negócio — ocupação de espaços, logística e outras decisões operacionais.

De produto para experiência do usuário

A Genetec mudou deliberadamente o foco dos eventos. Em vez de centrar a conversa no produto, passou a priorizar a experiência do cliente (CX) e a forma como o usuário opera o sistema.

“Antes a gente falava muito com o gestor de segurança — aquele ‘cara da arma’, muitas vezes ex-militar. Hoje ele conversa com TI, com cibersegurança, com facilities. Falar só de produto já não faz mais clique. A Genetec lança features praticamente todo mês. A gente ficaria louco de atualizar. Então focamos na interface do usuário e em como ele opera o sistema”, explica Rafaela.

O que o mercado brasileiro tem de diferente

Questionada sobre as particularidades do Brasil em relação a outros mercados, Rafaela é direta: o brasileiro demanda muita customização.

“Às vezes estamos em uma mineradora e o cliente quer integrar um bafômetro ao controle de acesso. Ou precisa integrar sistemas de RH locais — aqui temos muitas empresas de software de desenvolvimento nacional. Esses dados precisam estar integrados com o Genetec. Nos Estados Unidos é diferente.”

Ela cita ainda demandas típicas do mercado local, como monitoramento de velocidade de empilhadeiras ou detecção de comportamentos inadequados de operadores. “Esse tipo de demanda a gente não vê em outros países. Talvez porque o comportamento do brasileiro de não seguir tantas regras desafia mais a segurança.”

Plataforma aberta e customização estruturada

A Genetec desenvolve customizações para clientes finais, mas destaca que a grande vantagem está na arquitetura aberta da plataforma. APIs e SDKs são, em grande parte, gratuitos (alguns pacotes mais profundos são pagos e acompanham suporte técnico).

Muitos clientes desenvolvem soluções próprias sobre o Security Center — controle de docas a partir do sistema de estacionamento ou análise de avarias em caixas por meio de fotos, por exemplo.

Sobre o case do Banco da Amazônia, apresentado no evento, Rafaela reforça a lógica: “O presidente se sentia desprotegido. Eles têm um sistema em que, se o visitante sai no andar errado, o facial já avisa. Tem câmera posicionada nos elevadores. Mas o importante é que, por trás da feature, existe uma plataforma estruturante de dados. Onde estão os templates? Quem aprovou? Qual é o processo? A Genetec estrutura os dados. Depois, as interfaces se tornam mais simples porque as bases se conversam.”

Segurança que gera inteligência de negócio

O maior desafio atual, segundo Rafaela, é sair da lógica binária da segurança (“está ou não está com capacete”, “está ou não está em área autorizada”) e passar a entregar tendências e correlações úteis para outras áreas da empresa.

“Imagine correlacionar nível de CO2 com ocupação e produtividade. Ninguém pensa que um problema de produtividade por CO2 alto tem relação com o IoT do ambiente ou com a quantidade de pessoas. Essa correlação não existe na cabeça de 80% das empresas ou mais. É um processo de educação. O desafio é a gente se educar, ter exemplos para contar e começar a ajudar de fato essas outras áreas.”

Para a executiva, a Genetec se posiciona como precursora nesse movimento de transformar dados de segurança em informação estratégica para o negócio — um processo que, reconhece, ainda levará alguns anos para se consolidar plenamente no mercado.

A entrevista reforça o tom dominante do Mindset360 2026: a segurança física deixa de ser um silo isolado e passa a ocupar espaço cada vez mais central nas decisões corporativas, impulsionada por dados, customização e proximidade com o usuário final.

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Fernando Gaio

Jornalista especializado em TI, Segurança e Mídia. Contribui regularmente na Security Business.

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