A Illumio, empresa especializada em contenção de violações cibernéticas, apresentou seus resultados no Brasil e discutiu como a Inteligência Artificial está redesenhando o cenário de ciberataques. O encontro virtual contou com David Singer, Vice-Presidente Regional de Vendas da Illumio para a América Latina; John Kindervag, Chief Evangelist da companhia e criador do conceito Zero Trust; e Raghu Nandakumara, Vice-Presidente de Soluções da Illumio.
O papel do Zero Trust na contenção de ciberataques
John Kindervag, criador do conceito que hoje orienta estratégias de segurança em todo o mundo, explicou como os princípios do Zero Trust ajudam organizações a proteger dados, aplicações, ativos e serviços críticos. Sua metodologia é dividida em cinco etapas, começando pela definição clara do que precisa ser protegido antes de se estabelecerem os controles ao redor desses ativos.
“O Zero Trust parte do princípio de que os invasores eventualmente encontrarão uma forma de entrar. A questão crítica é até onde eles conseguirão avançar uma vez que estejam dentro. Ao identificar o que é mais importante e controlar o movimento lateral, as organizações podem evitar que uma violação isolada se transforme em uma interrupção generalizada dos negócios. À medida que os ataques continuam a se acelerar, a resiliência será cada vez mais definida pela capacidade de uma organização de conter o impacto de uma violação”, disse o executivo.
Prevenção não é mais suficiente
Raghu Nandakumara abordou por que estratégias focadas apenas em prevenção vêm sendo superadas pela velocidade e escala dos ataques modernos. Segundo ele, mesmo com a projeção de que os gastos globais com cibersegurança cheguem a US$ 377 bilhões até 2028, o aumento de investimento isoladamente não impede que um ataque se espalhe depois que o invasor consegue o primeiro acesso.
“A prevenção e a detecção continuam sendo essenciais, mas nenhum controle de defesa será capaz de impedir todos os ciberataques. A resiliência cibernética depende cada vez mais do que acontece depois que um invasor consegue entrar. Ao identificar e conter o movimento lateral, as organizações podem limitar o raio de impacto e evitar que um incidente isolado se transforme em uma crise para o negócio”, declarou.
A mensagem central do encontro foi clara: com o avanço dos modelos de IA de fronteira (frontier AI) acelerando o ritmo e a escala das ameaças, a resiliência das empresas passa a depender cada vez mais da capacidade de conter ataques, limitar interrupções operacionais e manter a continuidade dos negócios.
Gargalo entre detecção e contenção de ciberataques
Durante a coletiva, a Illumio também apresentou os resultados de The Containment Gap, estudo global conduzido pelo CyberEdge Group e encomendado pela companhia. A pesquisa ouviu 700 líderes de TI e segurança na América do Norte, Europa, Ásia-Pacífico e América Latina — incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Japão, Austrália e Brasil — e revela que, mesmo com investimentos crescentes em detecção, persiste uma lacuna relevante entre identificar uma ameaça e efetivamente impedir sua propagação.
Uma das descobertas mais interessantes é que o Brasil figura entre os mercados mais fortes em termos de confiança em cibersegurança e de resultados na resposta a violações, ao mesmo tempo em que registra alguns dos níveis mais elevados de fadiga de alertas. Isso reflete uma realidade mais ampla do setor: as equipes de segurança não sofrem com a falta de dados ou ferramentas, mas sim com a complexidade.
“A resiliência depende de reduzir essa complexidade, transformando sinais ruidosos em prioridades claras e contendo as ameaças antes que elas possam se espalhar pelo ambiente”, afirmou.
Crescimento acelerado no mercado brasileiro
A companhia tem motivos para celebrar o País, já que sua receita recorrente anual (ARR) da Illumio avançou 92% ano a ano até o segundo trimestre do ano fiscal de 2027, um desempenho que a empresa atribui à demanda crescente por resiliência cibernética e contenção de violações. Os setores que mais impulsionaram esse crescimento foram bancos e serviços financeiros, com alta de 727% na receita recorrente anual, seguidos pelo setor de saúde, que registrou expansão de 236% no mesmo período.
“As organizações brasileiras relatam um nível excepcionalmente alto de confiança em suas capacidades de cibersegurança, mas a confiança, por si só, não garante resiliência. À medida que os ambientes se tornam mais complexos e os ataques avançam mais rapidamente, as organizações precisam reduzir o ruído, priorizar os riscos reais e conter os ataques antes que eles se espalhem. É nesse ponto que estamos observando um foco e investimentos cada vez maiores no mercado brasileiro”, afirmou Singer durante a coletiva.
País lidera índices de confiança
Entre os países pesquisados, as organizações brasileiras apresentaram alguns dos níveis mais altos de confiança:
- 99% confiam em sua capacidade de detectar riscos e vulnerabilidades em nuvem
- 97% confiam em sua capacidade de mapear caminhos de ataque e movimentação lateral
- 98% afirmam compreender o impacto potencial e o raio de alcance de incidentes cibernéticos
- 94% confiam na capacidade de suas organizações de conter rapidamente ciberataques após o acesso inicial de um invasor — o maior índice entre todos os países do estudo
O Brasil também liderou globalmente a priorização de recursos de segurança baseados em IA e machine learning, além de investimentos em detecção e resposta mais rápidas e em investigação e triagem automatizadas.
Movimentações laterais: o grande desafio da proteção cibernética
Apesar dos altos índices de confiança, o levantamento identificou obstáculos operacionais significativos no país. Quase metade dos entrevistados brasileiros (49%) apontou a fadiga de alertas como o principal obstáculo para detectar movimentações laterais — o maior percentual entre todos os países pesquisados. Outros 27% citaram a sobreposição de plataformas de segurança como uma das principais causas de falsos positivos, também o maior índice do estudo.
Ainda assim, apenas 34% dos entrevistados brasileiros disseram ter dificuldade para impedir movimentações laterais não autorizadas, contra uma média global de 46% — um indicativo da confiança relativa do país na capacidade de conter ataques já detectados.
Contenção eficiente reduz prejuízos
Os dados mostram que essa confiança se traduz em resultados práticos: o Brasil registrou a maior taxa de detecção baseada em ferramentas entre os países pesquisados (69%), o menor tempo médio de indisponibilidade (5,9 horas) e o menor impacto financeiro por incidente (US$ 139.651). Por outro lado, alertas perdidos ainda representam um ponto de atenção, respondendo por 28% do tempo de indisponibilidade no Brasil — acima da média global de 21%.
Para a Illumio, esse conjunto de dados reforça a conclusão central do estudo: por mais que a capacidade de detecção das organizações venha avançando, a resiliência cibernética real depende da velocidade com que uma empresa consegue conter ciberataques antes que ele se espalhe pelo ambiente.
O relatório completo, “The Containment Gap: Exploring the Distance Between Detection and Resilience”, está disponível para download no site da Illumio.

















