O assessor especial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) Cassio Borges afirmou na última semana, durante o Seminário Nacional Brasil Legal, realizado pela Comissão Externa sobre os Atos de Pirataria, que a indústria brasileira tem deixado de fazer investimentos estratégicos em razão dos custos cada vez mais elevados com Segurança patrimonial. O evento teve a parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP).
Segundo ele, as indústrias estão deixando de investir em tecnologia e inovação, e tendo que realocar recursos para uma atividade que deveria ser do Estado brasileiro.
“Nossas pesquisas mostram que cerca de 80% do empresariado brasileiro apontam que esse novo custo com proteção privada tem onerado demasiadamente o processo produtivo, a ponto de ser identificado como mais um elemento do Custo Brasil, o que impacta na competitividade do produto brasileiro”, destacou Cassio Borges.
Ele lembrou que a CNI mantém uma agenda consistente de atuação e parceria com entidades privadas e com o poder público no combate à ilegalidade e pirataria. Ele mencionou pesquisa recente da CNI, segundo a qual os atos ilícitos custam R$ 107,9 bilhões por ano para a indústria, sendo R$ 39,1 bilhões de prejuízos diretos por perdas de produto, mercadorias e insumos, além de R$ 68,8 bilhões em gastos com segurança, como a contratação de escoltas para mercadorias, seguros, equipamentos e reestruturação interna. Ele citou também outra pesquisa da CNI, que apontou aumento de 62% nos custos das indústrias por gastos com segurança no transporte.
“Constatamos que o setor empresarial aos poucos se sente obrigado a assumir certos papeis e compromissos próprios do poder público. As empresas têm reestruturado as suas governanças, tendo hoje esse elemento como estratégico, o que gera custos e acarreta aumento dos preços do produto final”, pontou Borges.
O deputado federal Julio Lopes (PP-RJ), presidente da Frente Parlamentar Mista de Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria do Congresso Nacional e coordenador da comissão externa que promoveu o evento, na sede da FIESP, alertou que entre 50 e 60 milhões de brasileiros vivem sob o comando da criminalidade em “áreas isoladas do território nacional”.
“A CNI tem dado legitimidade, grande apoio e expressão nacional no combate à pirataria. A gente precisa contaminar o país com a ideia de que combater a ilegalidade é possível e de que a opção pela legalidade vale a pena. Estamos falando de altíssima criminalidade infiltrada no Estado. Se não andarmos muito rapidamente vamos perder essa guerra”, disse o deputado.
Problema de Segurança: união público-privada
Para o presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), Edson Vismona, a integração entre entidades dos setores público e privado é essencial para que o Brasil consiga combater a ilegalidade e a criminalidade.
“Precisamos fortalecer os elos de união no enfrentamento desse fenômeno da criminalidade brasileira. É um esforço contínuo que temos feito para enfrentar esse processo criminoso que afeta todos os negócios. Sem a união será difícil termos um efetivo combate a ilegalidade”, afirmou Vismona.

















