Sob a metáfora de uma “odisseia” moderna, Maurício Andrade de Paula, diretor executivo da Capgemini, guiou gestores e profissionais de segurança por uma jornada de aprendizado baseada no acrônimo T.E.C.N.O.L.O.G.I.A., destacando que o sucesso na nova era do consumo exige mais do que apenas ferramentas, exige propósito e liderança. A apresentação aconteceu durante o Smart Retail Summit 2026, promovido pela Motorola Solutions.

No ecossistema contemporâneo do varejo inteligente (Smart Retail), a introdução de tecnologias emergentes — como Inteligência Artificial generativa, IoT, gêmeos digitais e automação avançada — é frequentemente celebrada como o remédio definitivo para a eficiência operacional. Contudo, durante sua palestra no Smart Retail Summit 2026, realizada em 5 de agosto de 2026 em São Paulo, Maurício Andrade de Paula, executivo da Capgemini, trouxe uma provocação central: a tecnologia não transforma empresas por si só; são as pessoas e a cultura organizacional que viabilizam a transformação.

A chegada de qualquer tecnologia disruptiva passa, invariavelmente, pela revisão e adaptação da cultura empresarial. Na metáfora odisséica que estruturou toda a apresentação, o varejo de Troia (passado) precisa evoluir para o varejo de Ítaca (futuro), unindo a precisão da I.A. à força insubstituível do “tarrápido” e da criatividade humana.

 

O paradoxo da disrupção

Muitas organizações caem na armadilha da “ilusão tecnológica”: investir somas vultosas na aquisição das plataformas mais avançadas do mercado e esperar que a inovação aconteça automaticamente. No entanto, implantar um sistema de ponta sobre uma cultura organizacional burocrática, rígida ou avessa ao erro gera apenas um resultado: a aceleração da ineficiência.

A tese articulada por Maurício Andrade de Paula estabelece que a tecnologia é um vetor acelerador, mas a cultura empresarial é a estrutura receptora e moduladora. Se o ecossistema cultural não for trabalhado para abraçar o aprendizado contínuo, a agilidade e o engajamento das pessoas na ponta, o projeto de transformação digital tenderá à rejeição sistêmica.

“A chegada de uma nova tecnologia passa invariavelmente pela cultura da empresa. Sem uma mudança consciente de hábitos, processos e mentalidade, a tecnologia mais disruptiva torna-se apenas um investimento caro sem retorno substancial.” — Maurício Andrade de Paula, Capgemini

 

A Metáfora de Ulisses

Para conduzir sua narrativa e ilustrar a jornada de transformação, Maurício recorreu à clássica metáfora mitológica da Odisseia de Ulisses (Odisseu), estruturando a palestra em atos e desafios odisséicos:

 

Decodificando a palavra T.E.C.N.O.L.O.G.I.A

Como estrutura acionável para os líderes presentes ao evento, o palestrante desdobrou as dez letras da palavra TECNOLOGIA em dimensões essenciais para a transformação cultural e operacional no varejo, alinhadas à Odisseia:

 

Aplicações no varejo inteligente (Smart Retail)

No contexto das soluções apresentadas pela Motorola Solutions durante o evento, o ecossistema do Smart Retail integra dispositivos móveis inteligentes, sensores de IoT, rádio comunicação crítica e análise de dados em tempo real.

No entanto, como ressaltado na palestra, um colaborador equipado com um dispositivo de última geração só conseguirá entregar um atendimento memorável se a cultura da empresa lhe der autonomia, alinhamento e clareza sobre o seu papel no encantamento do cliente. O diagnóstico de maturidade é claro: sair do “Varejo de Troia” (busca manual SEO, operações em silos, humano isolado e sobrecarregado, estratégia reativa) para o “Varejo de Ítaca” (otimização generativa GEO e agentes, gêmeos digitais com paridade phygital, Human-AI Chemistry, estratégia antecipatória com redução de 30% em desperdício).

“Nesta odisséia que percorremos hoje, vimos que o mar desta nova era é revolto, mas as ferramentas e a motivação para enfrentá-lo estão em nossas mãos. Lembrem-se: a tecnologia aplicada é o seu arco, mas a vitória pertence a quem sabe envergá-lo com propósito. Não permitam que os ventos das tendências os deixem à deriva. Retornem para suas empresas prontos para liderar a jornada rumo à Ítaca da lealdade, pois nesta nova era, vence quem une a precisão da I.A. com a força insubstituível do ‘tarrápido’ e da criatividade humana. Você está apenas navegando ou está liderando sua própria odisséia rumo ao objetivo almejado?”

 

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